Matcha para a pele: os ensaios e a máscara
Matcha para a pele: os ensaios e a máscara
Sobre chá verde e pele existem dois ensaios aleatorizados, ambos na Dermatologic Surgery. Não dizem o que costuma repetir-se: o mais curto não encontrou diferença clínica face ao placebo, o mais longo viu melhorias precoces mas nenhuma superioridade aos 24 meses. Ficam ambos em baixo, com PMID, e depois a máscara de três ingredientes.
Os dois ensaios que existem
O primeiro saiu na Dermatologic Surgery em 2005 (Chiu et al., PMID 16029678). Em dupla ocultação e com placebo: 40 mulheres com fotoenvelhecimento moderado seguiram durante oito semanas um esquema combinado de creme de chá verde a 10 % e 300 mg orais duas vezes por dia. Na avaliação clínica não houve diferenças significativas face ao placebo, e o grupo tratado relatou mais irritação subjetiva. Nas biópsias, o conteúdo de tecido elástico melhorou de forma significativa (p < 0,05).
O segundo, na mesma revista em 2009 (Janjua et al., PMID 19469799), durou dois anos: 56 mulheres dos 25 aos 75 anos tomaram 250 mg de polifenóis de chá verde ou placebo, duas vezes por dia. Houve melhoria clínica significativa no dano solar global aos 6 meses (p = 0,02) e no eritema e telangiectasias aos 12 (p = 0,02), mas a conclusão dos autores é que aos 24 meses a suplementação não foi superior ao placebo, nem clínica nem histologicamente.
O que está no pó
O pó de matcha contém catequinas, sobretudo EGCG, além de vitamina C, cerca de 60 mg por 100 g de pó, e vitamina E, cerca de 42,4 mg por 100 g, segundo a base de dados do USDA. Isso é composição e pode afirmar-se sem rodeios. O que esses compostos fazem na pele de uma pessoa é o parágrafo anterior. E uma coisa que outros artigos omitem: nenhum chá substitui o protetor solar. O SPF continua inegociável.
Matcha e acne: o que está publicado
Sem rodeios. Procurámos ensaios em pessoas que medissem matcha ou chá verde e acne, e não encontrámos nenhum. O que circula em muitos artigos são mecanismos propostos em laboratório sobre a 5-alfa-redutase e sobre a Cutibacterium acnes, não resultados em participantes reais. A máscara de matcha é um gesto cosmético agradável e barato, com uma textura que muitas peles oleosas acham confortável. A literatura não vai além disso.
A máscara em cinco minutos
Ingredientes:
- 1 colher de chá de matcha (para uso cosmético o culinário serve perfeitamente e custa metade)
- 1 colher de chá de mel
- 1 colher de chá de óleo de coco
Preparação:
- Misture os três ingredientes numa taça pequena até obter uma pasta lisa.
- Aplique no rosto e pescoço limpos, evitando o contorno dos olhos.
- Deixe atuar 10 a 15 minutos.
- Retire com água morna, massajando devagar em círculos.
- Seque com uma toalha macia, sem esfregar.
Variante para pele seca: substitua o óleo de coco por uma colher de sopa de iogurte natural. O ácido láctico esfolia suavemente e a mistura fica mais hidratante. Frequência nos dois casos: uma a duas vezes por semana.
Faça sempre um teste na face interna do antebraço 24 h antes da primeira aplicação, sobretudo com pele sensível ou reativa. Com uma doença de pele diagnosticada, quem decide é o seu dermatologista.
Beber ou aplicar
Os dois ensaios publicados usaram administração oral, um deles combinada com creme. Nenhum testou uma máscara caseira de pó de matcha, por isso para esse formato não há dados. Muita gente faz as duas coisas por gosto: uma ou duas tigelas de cerimonial por dia e uma máscara semanal com culinário, que custa metade.
Perguntas frequentes
O matcha ajuda na acne?
Não há ensaios em pessoas que meçam matcha e acne. O que está publicado sobre chá verde e pele são dois ensaios de fotoenvelhecimento (PMID 16029678 e PMID 19469799), e nenhum mediu acne. A máscara é um gesto cosmético, não um tratamento. Em acne moderada ou grave, quem decide é o dermatologista.
Que matcha usar na máscara?
Culinário. Os mesmos compostos ativos por uma fração do preço. O cerimonial foi feito para se apreciar na tigela, e usá-lo em cosmética deita fora matizes e dinheiro. A única exigência é certificação biológica, porque vai direto à pele.
Quanto tempo até se notar efeito na pele?
Nos dois ensaios, o primeiro resultado clínico significativo apareceu aos 6 meses (Janjua et al., PMID 19469799), e aos 24 meses já não se sustentava face ao placebo. O ensaio de oito semanas (Chiu et al., PMID 16029678) não encontrou diferenças clínicas. Se espera uma mudança visível por beber matcha, a literatura não a apoia.
A máscara mancha a pele de verde?
Não. O pigmento sai por completo com água morna. As toalhas claras são outra história, temporariamente. Use uma escura e a questão desaparece.
Para beber, o cerimonial biológico de primeira colheita. Para máscaras, o grau culinário. Ambos com certificação biológica europeia, que na cosmética conta tanto como na tigela.
Referências
- Chiu AE, Chan JL, Kern DG, Kohler S, Rehmus WE, Kimball AB., Double-blinded, placebo-controlled trial of green tea extracts in the clinical and histologic appearance of photoaging skin. Dermatologic Surgery, 2005. PMID 16029678. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16029678/
- Janjua R, Munoz C, Gorell E, et al., A two-year, double-blind, randomized placebo-controlled trial of oral green tea polyphenols on the long-term clinical and histologic appearance of photoaging skin. Dermatologic Surgery, 2009. PMID 19469799. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19469799/